Por que, no fim da vida, as pessoas se arrependem de não ter realizado mais?

Vida & Família

Quem não se lembra do famoso filme A Lista de Schindler? O longa-metragem, ambientado na segunda guerra mundial, conta a história de Oskar Schindler, que usa de sua influência no partido nazista para abrir uma fábrica e, através dela, salvar centenas de judeus da morte. Mesmo depois de conseguir livrar muitos homens, mulheres e crianças, ele, na cena final do filme, se lamenta e chora copiosamente por não ter feito mais para salvar mais pessoas.

Mas será que é sempre assim? Quem faz o bem, se lamenta no final da vida de não ter feito mais? E quem, pelo contrário, vive mediocremente? Será que chega a revisar a própria vida e descobrir que poderia ter realizado mais?

Difícil responder de maneira generalizada o que, em realidade, depende de cada caso, de cada pessoa. Mas o que, sim, acredito ser possível afirmar, é que a iminência da própria morte geralmente causa importantes efeitos na vida das pessoas. É que a consideração do próprio fim, da contingência da vida, do frágil que é a existência humana, oferece uma perspectiva única, um ângulo todo especial, para considerar a própria história, e assim colocar na balança o que se fez e o que se deixou de fazer.

Com a viva consideração do fim da nossa existência na terra, podemos compreender mais facilmente o sentido de nossa vida e o seu fundamento em Deus. As perguntas fundamentais, como “quem sou”, “de onde venho”, “para onde vou” “qual o sentido de minha vida” cobram mais peso em nossas vidas, e reclamam mais intensamente por suas respostas.

Com a consideração da própria morte, as eventuais mentiras que nos contamos, como “vamos nos permitir”, “tudo está permitido”, “somos os donos de nossa vida” mostram a sua fragilidade e já não servem para tampar os buracos que possivelmente tenhamos no coração.

Não é à toa que, na tradição cristã, o moto latino memento mori teve muita fama. Traduzido ao Português, ele quer dizer “lembre-se de que você é mortal” ou “lembre-se de que você morrerá”. Mas ele não era usado em modo negativo. Pelo contrário. Ao considerar o destino inevitável de todo homem e de toda mulher, os cristãos se colocam em uma posição de maior objetividade para julgar a vida e considerar o bem que se fez e o que se deixou de fazer.

Não deixe esta pergunta para o fim da vida. Viva já de frente para você mesmo e, aberto a Deus, com fé, esperança e caridade, abra-se ao Plano de Deus e viva intensamente o mistério da vida cristã já, agora, hoje.

 

https://www.a12.com/redacaoa12/espiritualidade/por-que-no-fim-da-vida-as-pessoas-se-arrependem-de-nao-ter-realizado-mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *